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Começa a colheita da soja em Mato Grosso

As primeiras áreas de soja da safra 2020/2021 começaram a ser colhidas nos últimos dias de dezembro, mas na maior parte das lavouras os trabalhos iniciam com maior intensidade na segunda quinzena de janeiro.

Produtores relatam que as chuvas foram muito irregulares ao longo do ciclo o que deve provocar perda na produtividade, especialmente nestas áreas que utilizaram variedades precoces e super precoces. As lavouras semeadas mais cedo são na maioria aquelas em que os produtores aproveitam para plantar o algodão após a colheita da soja. É o caso da fazenda Tucunaré, no município de Sapezal, que pertence ao grupo Amaggi, que iniciou a colheita no dia 29 de dezembro, com expectativa de 55 sacas por hectare de produtividade média nestes primeiros talhões.

“Muitos produtores que começaram a colheita agora, semearam esta soja em meados de setembro, na poeira, na primeira chuva que deu. O foco principal deles, na maioria,  não é a primeira safra, é a segunda safra de algodão", explicou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz. O dirigente destacou que uma maior regularidade nas chuvas entre janeiro e fevereiro será fundamental para determinar a produtividade das lavouras.

As chuvas em 2020 chegaram mais tarde, adiando o plantio, o que deve postergar em pelo menos 15 dias a entrada das colheitadeiras na lavoura. Na safra 2019/2020, Mato Grosso colheu 25% das áreas de soja em janeiro, já este ano os dados ainda não foram divulgados pelo Imea (Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária), mas a expectativa é de que o percentual seja mais baixo.

Os efeitos do La Niña, que atrasaram as chuvas nas áreas produtoras, também fizeram a Aprosoja Brasil revisar as projeções para a safra 2020/2021.  A entidade prevê que o Brasil produza 127 milhões de toneladas de soja, menos do que as projeções iniciais de 134,5 milhões de toneladas, mas ainda assim com aumento de 2,2% em relação ao ciclo 2019/2020.

Para Mato Grosso, a previsão é de queda na produção e na produtividade da soja. Devem ser colhidas 33,9 milhões de toneladas, 5,4% a menos em relação ano anterior. O rendimento médio das lavouras deve ficar em 3.319kg/ha, redução de 7,7%.

Ao contrário da colheita, a comercialização da soja avança de forma significativa em função dos bons preços da commodity no mercado internacional. Dados divulgados pela Safras & Mercado no dia 8 de janeiro mostram que 65% da safra de soja 20/21 em Mato Grosso já foi comercializada. Nesta mesma época do ano passado, apenas 49% da produção estava vendida. O estado tradicionalmente se destaca na prática de vender antecipadamente a produção. No Brasil, segundo os dados da Safras & Mercado, já foram comercializados 47,7% da produção, contra 43,1% na safra 19/20.